Passamos a vida toda a guiar-nos por sentimentos e sensações, quando nos deparamos com o fim de tudo o que significa consideramos as coisas mais dificeis de compreender e as reacções mais complicadas de suportar…
A vida mostra-se como um caminho pelo qual a nossa passagem é tão impotente como insignificante… É dificil de considerar os aspectos positivos que levam à expressão da alma e o significado dos mesmos… Passamos a vida a sonhar, mas são os sonhos que nos fazem acreditar na realidade, uma vez alguem disse que os sonhos sao o escremento do dia vivido… pois é exactamente isso… passamos a vida a sonhar com algo tão simples e basico que se torna o resultado do mastigar das sensações e sentimentos do dia a dia… então como resolver este paradoxo e redefenir um dogma imposto? Eu passeio nesta vida sem acreditar na imposição humana e social, insiro-me nos padrões necessarios para a convivencia humana e faço das minhas decisões os meus proprios dogmas inquestionaveis… mas a vida é tao futil e abstracta que nos perdemos em montes de sensações paralelas e relativas… Uma vez disse que não podemos depender de ninguem para viver, a dependencia causa tristeza… é inevitavel, por muito que o ser humano procure consiliar a vida com a camada de sensações que percorre o sangue a cada momento do dia os paralelismos levam-nos a um desiquilibrio gradual… Como nos proteger de uma tristeza obrigatoria? Aceitando-a e respeitando-a como a alegria talvez? A dependencia não so se verifica nas relações humanas, ou não estamos todos dependentes da alegria? Duma sensação de bem estar, de um despertar momentaneo de vazio… Sim… O vazio é o unico momento unico da vida, quando nos perdemos na ausencia dos pensamentos e por consequencia das sensações presas à consciencia das coisas… O ser humano procura a felicidade como algo inato… Nasce conosco a alegria e a procura da mesma… mas e a tristeza? Como é possivel esquecermos a tristeza quando chega a ser mais viciante que a propria alegria? Aprendemos a viver com a tristeza em cada dia que passa, e a aceita-la como parte de nos e da nossa vida, passado presente e futuro unem-se num só para compreender cada sensação e sentimento presente, ou não somos nós frutos da nossa experiencia? Nesta vida já me deparei com poucas das muitas coisas que poderei ver ainda… ou não, mas em todas elas descobri uma porção da minha realidade… e sinceramente a que mais me identifico é a tristeza… não pelo que significa ou se relaciona, não pelo que demonstra ou por me querer transformar num martir, nunca! Apenas porque é o sentimento mais presente neste mundo, no meu mundo… A tristeza é relativa é simplesmente um conjunto de tudo o que a provoca, mas no fundo a tristeza é uma condição de vida, em que a aceitamos e aprendemos a viver com ela e a conjuga-la com a alegria, ou nos tornamos dependentes dela, caimos viciados nos braços dela… à minha volta vejo todo tipo de pessoas relaciono-me com um mundo de vivencias e personalidades… vejo pessoas que procuram, pessoas que lutam, pessoas que sonham, pessoas que acreditam, pessoas que simplesmente desistem… desistem do que tem direito… viver… Eu desisti há muito tempo, desisti de desistir… mas apesar de tudo caio… sou apenas um ser humano… Como conjugar tudo e viver igual?
Não da… é impossivel… a dependencia torna-nos seres desprezaveis e irracionais, a dependencia torna-nos naquilo que evitamos ser na sociedade… nós mesmos.
Sempre acreditei numa vida executada pelo Consciente e dirigida pelo sub-consciente, direccionada pelo ego, e suportavel pela boa vontade… Há mais aspectos a considerar que se conjugam com muitos outros e sucessivamente com estes, mas são estes que temos de conhecer, aprender a lidar com eles…
Sou ser humano, a minha acção é consciente quando o sub-consciente a ordena, é o conjunto de tudo o que já vivi, a memoria permanente do sub-consciente que dirige, mas é a superficie, o ego que direcciona, pois é ele que representa a nossa imagem, o que significamos e somos para nós. Então ai a boa vontade, é simplesmente o limite da nossa acção, até que ponto somos capazes de ir para agir? E agir conscientemente de acordo com o sub-consciente… A qualquer lado! A nossa percepção é geral, podemos ser o que quisermos desde que a gravidade permita… entao podemos negar as evidencias da vida? Sim! Podemos ser felizes? Sim! Uma felicidade permanente que se conjuga com a infelicidade numa simbiose perfeita e unidireccional… Mas para isso dependemos de uma situação impossivel… Liberdade. E para a Liberdade dependemos da Sociedade, e da sociedade dependemos do nivel de aceitação nela, e a Aceitação depende da nossa existencia, e nos existimos porque pensamos, se pesamos temos ideias diferentes que entram em discordancia com novas ideias diferentes, muitas ideias são demasiado confusas e abstractas portanto temos de encontrar um organismo que controle os pensamentos sem elimina-los e os guie em unissono, quebrando a Liberdade… ups… Ciclo viciado… perdição… Infelicidade é a razão. Felicidade é o Sonho. Dependencia a Perdição. Liberdade a Utopia… e quando finalmente começamos a acreditar, o sonho perde-se no preconceito… É impossivel viver em sociedade, pois é impossivel aceitar e acreditar no inacreditavel e sonhar a felicidade de um pesadelo afogado em tristeza. Irei eu acabar como todos aqueles que deixam de acreditar e aceitam o que lhes dá a vida? Nahhhh eu continuo a procurar o perdido e sonhar o esquecido. Continuo a dizer o que penso e sonhar o que digo, Viver o que sinto e ser o independente dependente da vida. A viver na tristeza que a alegria trás e alegrar-me com a tristeza que vivo…. Quando deixar de acreditar no impossivel matem-me pois serei incapaz de me suicidar.
Eu amo a vida pelo odio que tenho dela… é tao tenue o fio que divide ambos sentimentos… entao procuramos alcançar o odio para esquecer o amor… ou alcançar o amor para esquecer o odio… O amor é a dependencia, o Odio é a fuga…
Preferia perder-me numa vida e viver vagueando por caminhos esquecidos, do que viver os passos de quem os já percorreu…
Sou o que me transformei, era o que esqueci e serei o que desejar…
Começo a acreditar no que dizem… quanto mais falamos mais navegamos no oceano da mente e nos perdemos no horizonte da imaginação…